O meu intercâmbio demorou, demorou mais do que eu conseguia aguentar, mas chegou e não poderia ter sido em hora melhor.
Sendo mais velha, já com algum grau de sabedoria sobre os meus próprios valores, vontades, sonhos e objetivos, acredito ter tido um aproveitamento muito maior do que o que eu teria tido se tivesse 15 anos, como a maioria das pessoas.
Meu intercâmbio não foi nos E.U.A, não foi também no Canadá...foi num lugar muito, mas muito melhor do que jamais poderia ter sonhado: AUSTRALIA. O país mais exótico do mundo deveria ter tantas outras denominações quanto se tem qualidades (isso é assunto para um próximo post), me mostrou e mudou minha vida em tantas formas que as vezes me sinto uma pessoa completamente diferente de quem eu era antes de viver essa experiência. Voltei diferente, ainda bem, porque convenhamos, viver em outro país, outra cultura, numa situação totalmente desconhecida e voltar sendo exatamente quem se era, é o maior desperdício de tempo, dinheiro e de vida!
Tive a oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro, todas as culturas inimagináveis, todos os sotaques, todas as culinárias e o que eu ganhei com isso?
Além de ganhar conhecimento em si, o fato de experimentar coisas novas, me fez ser muito mais aberta ao novo do que eu era. Porque apesar de sempre ter me visto como uma pessoa "corajosa", eu jamais me arriscaria numa comida indiana, por exemplo, "muito condimentos, temperos, e coisas estranhas misturadas", quem diria que um dia se tornaria uma das minhas culinárias favoritas!?
Independência, não só pelo fato de estar sozinha e poder fazer tudo o que eu quisesse sem dar satisfação para ninguém, claro, que isso foi um fator muito importante, mas, aprender a lidar com responsabilidades e obrigações, foi muito mais enriquecedor e estressante também, mas extremamente necessário. Decidir por minha própria conta qualquer coisa, foram momentos muito desafiadores, em certas circunstâncias me fizeram duvidar da minha capacidade de discernimento, mas era aquela coisa: ou vai ou vai, não tem pra quem correr, ninguém vai fazer por mim.
Disposição, outro ponto em que mudei demais, não só o fato de que aprendi a falar sim pra muita coisa, que no caso seria me permitir, apenas IR; mas me dispor a iniciar uma conversa mesmo com medo de não saber falar direito, mesmo sem nunca ter visto a pessoa; disposição para não ficar trancada no quarto, a ver, andar, fazer coisas que você sempre disse que jamais faria porque eram idiotas demais, brega demais, estúpido demais. Com certeza, são dessas situações que minhas melhores memórias vieram.
Respeitar. Entendi que o respeito que se tem para com o próximo no seu país de origem está muito longe do respeito que se tem em um outro país; tudo é tão diferente, que as vezes você chega a pensar que devem estar pregando uma peça em você. Acho que as diferenças culturais foram as mais difíceis de aceitar e respeitar...e agora tudo é tão natural, nada mais te assusta, nada mais te choca e mesmo que você não goste de determinada cultura, no mínimo você a entende, porque viu de perto alguns por quês; o que é maravilhoso, imagina viver num mundo onde ninguém se incomoda com a sua cultura?
E religião, tive a oportunidade de conviver com pessoas de religiões bem diferentes da minha e por incrível que pareça, me apaixonei por algumas delas, a ponto de me fazer pesquisar e ler sobre.
Eu que nunca me considerei uma pessoa preconceituosa, estando lá, vivendo lá, sofri algumas vezes preconceitos sim, houveram situações chatas, mas, entendi que preconceito é tão pequeno diante à riqueza das pessoas.
Eu que nunca fui muito fã de pessoas no geral, me apaixonei por uma diferente todos os dias. Me apaixonei pelas mesmas todos os dias.
Viver em um país diferente é se descobrir todos os dias, é descobrir o mundo um pouquinho todos os dias.
Viver em outro país te torna mais maleável, ou deveria pelo menos, porque é você fora da casinha! É você fora da sua zona de conforto e descobri que as coisas só começam a acontecer, quando você se dispõe a ficar desconfortável, quando você se abre para o inesperado.
Viver em um país diferente, te faz diferente e ainda bem! Hoje me considero uma pessoa muito melhor do que quem eu era antes de sair daqui, consigo reconhecer com uma facilidade muito maior, meus erros, meus pontos fracos e tenho mais certeza ainda de quem eu sou e de quem quero ser, tenho mais convicção dos meus sonhos, do que preciso fazer para alcançá-los e olha só, eles chegam! Sempre chegam, se não desistir deles.
Um intercâmbio te dá a chance de você ser quem quiser, de se reinventar, de se expressar exatamente como quer.
Um intercâmbio te faz voltar pra casa com vontade de sair de novo, de voltar ou de procurar um outro lugar. É aquela faísquinha que muitas vezes faltava.
(Academic English Course: China, Vietnam, Paquistão, Brasil, Nepal, Líbano, Butão, África do Sul).


