quarta-feira, 1 de julho de 2015

Porque Ela é Wild Child at Heart...

Para ler ouvindo: KENNY CHESNEY- WILD CHILD, segue o link abaixo
https://www.youtube.com/watch?v=_XIANQM3xm0

Depois de tantas reviravoltas em uma vida normal, seria também mais que esperado que as coisas não permanecessem sempre iguais. E o que faz a vida interessante na verdade são essas reviravoltas, o fato de você programar, programar e não ter a menor certeza do que acontecerá na manhã seguinte, quem dirá anos à frente.
Para alguém como eu, é extremamente difícil aceitar que a nossa própria vida não está em nossas mãos e que se não for pra ser, não adianta espernear no chão que não vai acontecer, mas também não significa não fazer planos ou não sonhar, muito pelo contrário, acho que é o que faz a vida continuar e ser interessante...estressante também.
Planejar, planejar, planejar...sempre foi o que mais gostei de fazer, planejar viagens, estágios, minha vida em 1, 5 ou 10 anos, saber exatamente onde queria estar e o que fazer para alcançar, mas alguma coisa ao longo dos últimos seis meses mudou ou deu um clique na minha cabeça e por alguma razão desconhecida, simplesmente parei de me preocupar, de querer ter cada passo da minha vida delineado, delimitado...
Há uns 10 anos conheci alguém que de um jeito ou de outro mudou minha vida inteira e eu achava isso lindo, até entender que não era apenas uma "historinha bonitinha"de como alguém pode afetar tanto a vida de outra pessoa...enfim, ela tinha esse ar meio hippie, de não ter parada, de não ter planos, porque os sonhos dela eram justamente não ter "raízes" e eu admirava isso nela, tanto quanto quase a venerava e então era isso que eu queria para mim, ser igual.
De algum jeito, isso se tornou parte de mim...mas como uma pessoa extremamente calculista conseguiria entender e almejar flutuar pela vida?
Hoje eu estou aqui, sem ter a menor idéia do que fazer, tendo apenas uma única certeza: o que quer que seja, não vai ser aqui.
Agi por impulso, tinha um plano pra daqui 2 anos, cortei ao meio, mudei a rota.
E por incrível que pareça, me senti tão livre e leve fazendo isso.
Percebi que meus planos objetivos nunca mudaram e talvez jamais mudarão, porque mesmo que adormecidos são parte de quem eu sou e pelo que eu tenho lutado a vida toda, mas...porque não fazer uma pausa? Perseguir outros sonhos no meio do caminho?
Ouvi dizer que não é o destino, mas o caminho percorrido que faz tudo valer a pena...e se for isso mesmo, tem tantas...mas tantas outras coisas que eu pretendo fazer antes de "arrumar um emprego de verdade", de ser a adulta responsável que todos esperam que sejamos quando nos formamos na faculdade...porque a ordem lógica é essa: você se forma, arruma um apartamento, um emprego, se casa, tem filhos e morre.
Desculpa, mas nunca fui fã da normalidade, talvez influência passada, mas me incomoda o fato de não haver um espaço ai no meio para CONHECER...
Não me interessa muito o que ou quem, mas e ai? A vida é só isso? Porque eu esperava muito mais dela e não falo de festas, bagunça ou seja lá o que passou na cabeça de vocês.
Talvez o que esteja faltando nisso tudo também não seja o que, mas quem... quem sou eu na minha própria vida?
Se só eu tenho poder de fazer acontecer, então é isso que vai acontecer...vou me formar, formar um sonho, poxa, pensa só, mais um sonho realizado, quantas pessoas tem a sorte de terem seus sonhos realizados? Eu tive o privilégio ou a sorte de ter alguns...mas ainda tenho tantos outros esperando para acontecer, que se eu parar nesse, seria egoísmo demais, e pode não parecer pra maioria, porque seguem a ordem lógica das coisas, mas o meu CONHECER vem agora e não depois...porque "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
Se esperar demais, se esperar depois disso ou aquilo, sempre haverá outra e outra prioridade, mais uma aqui e outra ali, e quando abrir os olhos já terá seus 60 anos e seu tempo passou...aquela viagem que queria ter feito, foi há 30 anos...aquela pessoa que queria ter namorado tem filhos de 25, aquela roupa que queria ter usado mas ficou com vergonha saiu de moda há uns 10.
Não dá pra deixar para depois, estamos em constante movimento e o tempo não espera, a minha hora de arriscar é agora, depois vem o trabalho, o casamento e os filhos (SE vierem, porque com disse... padrão não me agrada).
E podem falar que estou louca, que sempre fui tão certa do que queria para minha vida, e nunca estive tão certa disso tudo, acontece que os sonhos mudam ou as prioridades mudam e não há nada errado nisso é só que algumas pessoas são "tradicionais" e outras são "wild child".







quinta-feira, 14 de maio de 2015

Se Não Fossem as Memórias, Eu não Seria Eu.

Para ler ouvindo CLARICE FALCÃO- CAPITÃO GANCHO.

Descobri que quando você realiza um sonho, a sensação que fica depois é quase de dormência.
Descobri que quando se vive algo muito bom, muito além do esperado, a sensação que fica quando acaba é devastadora.
Descobri que a memória é a forma viva da pior das torturas.
E descobri também que o passado lateja, como quando se prende o dedinho numa porta...por tempos.
Mas o que seria de mim sem meu passado, sem minhas memórias, sem a dormência no final de um ciclo?
Quem seria eu, hoje, se não tivesse vivenciado, experienciado tudo o que me foi posto no caminho?
A constante mudança que sofremos dia após dia para enfrentarmos o cotidiano, de nada seria importante se não pudéssemos olhar para o passado, porque é lá, que vemos o montante, é a longo prazo que há diferença.
Hoje percebi, que a melhor parte da minha vida se parece mais com um sonho, daqueles que quando a gente acorda não tem certeza se estava dormindo ou realmente aconteceu...é o tal, estado dormência.
Percebi, que aquilo parece pra mim como um bloco, um fato isolado, que não faz parte da vida real, essa, que não é la grande coisa.
Não é grande coisa porque agora é tudo mais ou menos, nada tem tanta graça, nada te excita, nada te deixa realmente feliz... e o fato de que não consigo sentir nada tem me intrigado demais, até cheguei a pensar que pudesse estar com depressão pós-intercâmbio, o que me explicaria muitas coisas...
mas não é!
É a dormência.
É aquela fase em que você tem que enfrentar o fato de que a realidade mudou, que o sonho tinha hora pra começar e acabar, e acabou.
É aquela fase em que você percebe o quão sortuda foi, mas que ao mesmo tempo agora é azarada o suficiente pra viver buscando o que o passado levou, porque não volta...não vai voltar, nada daquilo, nunca.
Pode ser que outro sonho venha, seja realizado, e vai ser...mas vai acabar, e vai ir outra fase de dormência. Nessas horas, a hibernação deveria ser um bom mecanismo de defesa, pelo menos tenho tentado.
Descobri que troco as horas acordadas pelas horas dormindo, pra não ver o tempo passar, na esperança de um dia acordar e poder lembrar daquilo tudo como uma memória boa, e não como fuga da realidade em que vivo agora.
Chega a ser triste, eu sei. Não é fácil estampar um sorriso e dizer que tá tudo bem, porque não tá, e as minhas expressões faciais infelizmente também nem isso me permitem.
Mas dizem que tudo é questão de tempo, então logo, reza a lenda que a dormência passa e você começa a sentir de novo coisas além da dor física de não poder estar onde se gostaria.
Mas também, depois de pensar e repensar inúmeras vezes diariamente, descobri também que o fato de lugar, não é apenas físico...percebi no meu caso, que o lugar que tanto quero voltar é o lugar onde eu estava emocional e psicologicamente, era onde minha alma estava em paz.
Descobri também, que eventualmente se você não se desprender do passado por bem, ele te deixa por mal.
Descobri, com muita relutância, que se permitir ter memórias é virar a página do teu livro favorito e saber que vai ter outro capitulo ali, novinho para ser lido...ou nesse caso, escrito.
E convenhamos, que dádiva é essa que podemos ter as páginas escritas em tinta permanente e ter imaginação livre pra fazer um capítulo completamente novo, porque o editor é você.
Descobri que por onde você passa você deixa uma parte de você e volta com umas mil de outras pessoas que conheceu pelo caminho.
Descobri, hoje, que sou feliz por tê-las.
Descobri que se não fosse a dormência eu não teria tempo de me fazer eu.



"Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu.
Se não fossem as minhas tias com todos os mimos
Ou se eu menino fosse mais amado
Se não desse errado
Não seria eu.
Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Não quero ser chato
Mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim.
Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim
Se não fossem os ais
E não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador.
Se não fosse Deus
Bancando o escritor
Se não fosse o mickey e as terças feiras e os ursos pandas
E o andar de cima da primeira casa em que eu morei
E dava pra chegar no morro só pela varanda se não fosse a fome
E essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança
Se não fosse o Koni e o Capitão Gancho
Não seria eu."


terça-feira, 31 de março de 2015

Porque Ela Voltou Diferente...

Quando eu era criança sempre ouvia pessoas falando: "fulano foi fazer intercâmbio no Canadá, cicrano foi pros E.U.A...nossa, ele voltou tão diferente"... e no fundo sentia uma pontinha de inveja: quando seria a minha vez? queria voltar diferente.
O meu intercâmbio demorou, demorou mais do que eu conseguia aguentar, mas chegou e não poderia ter sido em hora melhor.
Sendo mais velha, já com algum grau de sabedoria sobre os meus próprios valores, vontades, sonhos e objetivos, acredito ter tido um aproveitamento muito maior do que o que eu teria tido se tivesse 15 anos, como a maioria das pessoas.
Meu intercâmbio não foi nos E.U.A, não foi também no Canadá...foi num lugar muito, mas muito melhor do que jamais poderia ter sonhado: AUSTRALIA. O país mais exótico do mundo deveria ter tantas outras denominações quanto se tem qualidades (isso é assunto para um próximo post), me mostrou e mudou minha vida em tantas formas que as vezes me sinto uma pessoa completamente diferente de quem eu era antes de viver essa experiência. Voltei diferente, ainda bem, porque convenhamos, viver em outro país, outra cultura, numa situação totalmente desconhecida e voltar sendo exatamente quem se era, é o maior desperdício de tempo, dinheiro e de vida!
Tive a oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro, todas as culturas inimagináveis, todos os sotaques, todas as culinárias e o que eu ganhei com isso?
Além de ganhar conhecimento em si, o fato de experimentar coisas novas, me fez ser muito mais aberta ao novo do que eu era. Porque apesar de sempre ter me visto como uma pessoa "corajosa", eu jamais me arriscaria numa comida indiana, por exemplo, "muito condimentos, temperos, e coisas estranhas misturadas", quem diria que um dia se tornaria uma das minhas culinárias favoritas!?
Independência, não só pelo fato de estar sozinha e poder fazer tudo o que eu quisesse sem dar satisfação para ninguém, claro, que isso foi um fator muito importante, mas, aprender a lidar com responsabilidades e obrigações, foi muito mais enriquecedor e estressante também, mas extremamente necessário. Decidir por minha própria conta qualquer coisa, foram momentos muito desafiadores, em certas circunstâncias me fizeram duvidar da minha capacidade de discernimento, mas era aquela coisa: ou vai ou vai, não tem pra quem correr, ninguém vai fazer por mim.
Disposição, outro ponto em que mudei demais, não só o fato de que aprendi a falar sim pra muita coisa, que no caso seria me permitir, apenas IR; mas me dispor a iniciar uma conversa mesmo com medo de não saber falar direito, mesmo sem nunca ter visto a pessoa; disposição para não ficar trancada no quarto, a ver, andar, fazer coisas que você sempre disse que jamais faria porque eram idiotas demais, brega demais, estúpido demais. Com certeza, são dessas situações que minhas melhores memórias vieram.
Respeitar. Entendi que o respeito que se tem para com o próximo no seu país de origem está muito longe do respeito que se tem em um outro país; tudo é tão diferente, que as vezes você chega a pensar que devem estar pregando uma peça em você. Acho que as diferenças culturais foram as mais difíceis de aceitar e respeitar...e agora tudo é tão natural, nada mais te assusta, nada mais te choca e mesmo que você não goste de determinada cultura, no mínimo você a entende, porque viu de perto alguns por quês; o que é maravilhoso, imagina viver num mundo onde ninguém se incomoda com a sua cultura?
E religião, tive a oportunidade de conviver com pessoas de religiões bem diferentes da minha e por incrível que pareça, me apaixonei por algumas delas, a ponto de me fazer pesquisar e ler sobre. 
Eu que nunca me considerei uma pessoa preconceituosa, estando lá, vivendo lá, sofri algumas vezes preconceitos sim, houveram situações chatas, mas, entendi que preconceito é tão pequeno diante à riqueza das pessoas.
Eu que nunca fui muito fã de pessoas no geral, me apaixonei por uma diferente todos os dias. Me apaixonei pelas mesmas todos os dias.
Viver em um país diferente é se descobrir todos os dias, é descobrir o mundo um pouquinho todos os dias.
Viver em outro país te torna mais maleável, ou deveria pelo menos, porque é você fora da casinha! É você fora da sua zona de conforto e descobri que as coisas só começam a acontecer, quando você se dispõe a ficar desconfortável, quando você se abre para o inesperado.
Viver em um país diferente, te faz diferente e ainda bem! Hoje me considero uma pessoa muito melhor do que quem eu era antes de sair daqui, consigo reconhecer com uma facilidade muito maior, meus erros, meus pontos fracos e tenho mais certeza ainda de quem eu sou e de quem quero ser, tenho mais convicção dos meus sonhos, do que preciso fazer para alcançá-los e olha só, eles chegam! Sempre chegam, se não desistir deles.
Um intercâmbio te dá a chance de você ser quem quiser, de se reinventar, de se expressar exatamente como quer.
Um intercâmbio te faz voltar pra casa com vontade de sair de novo, de voltar ou de procurar um outro lugar. É aquela faísquinha que muitas vezes faltava.
 
(Academic English Course: China, Vietnam, Paquistão, Brasil, Nepal, Líbano, Butão, África do Sul).

domingo, 8 de março de 2015

Porque Todo Mundo Precisa Ser "Livre" Uma Vez Na Vida.

Calhando que hoje é o Dia Internacional das Mulheres, decidi falar sobre "Livre" (Wild), livro/filme de Cheryl Strayed.
A autobiografia retrata uma jovem mulher volúvel, que se vê completamente perdida em sua própria vida após a perda da mãe; afundada em depressão encontra amparo na Heroína e começa a viver uma vida adúltera a partir daí, dando fim ao seu casamento também. Após se ver completamente sem nada, decide se recompor e encontrar um rumo para sua vida e então, parte em uma jornada solitária em busca de auto conhecimento e revelações no percurso da Pacific Crest Trail, uma trilha de mais de 4.000 km que atravessa os Estados Unidos da fronteira California/México até Washington/Canadá; sem preparo físico, sem conhecimento do percurso e sem equipamentos adequados. Cada trecho conquistado, cada situação adversa vencida e pessoas conhecidas pela estrada, vão revelando um pouco da mulher que estava soterrada em meio à decadência pessoal. Resumindo, a moça conclui o percurso, encontra seu eu interior e forças para mudar de vida, para ser alguém melhor.
Minha pretensão aqui é mostrar que por mais que as vezes nos escondemos embaixo de uma casca de superficialidade ou que usamos outros artifícios, talvez até maléficos à própria saúde, para nos esconder de nós mesmas e dos outros, podemos nos surpreender com as descobertas que teríamos se prestassemos atenção aos sinais que a vida nos dá, podemos nos surpreender com quem somos e na verdade, descobrir quem somos de verdade.
As vezes uma conversa com alguém diferente ou uma pessoa mais sábia; um filme que te prenda tanto a atenção e mexa com seu emocional ou mesmo uma mochila nas costas e um pouco de coragem; orgulho enfiado no meio da bagagem e determinação podem mudar uma vida inteira. É aquela velha história que todo mundo acha que é a maior bobagem; se dar uma segunda chance.
No final, a epífane da vida está em entender que as coisas ruins que aconteceram no passado foram necessárias para que te trouxessem até este momento; em que está buscando algo novo e melhor; os problemas, os dramas, as decisões erradas na verdade não foram ruins, foram a gota d'água que fizeram transbordar teu copo e te fez procurar um copo maior.
Então esse post vai à todas as mulheres que enfrentam o cotidiano com a melhor maquiagem possível ou que preferem não se esforçar pra ser nada além da média; que todas nós tenhamos o respeito merecido em todos os dias do ano, todos os anos da vida; que todas nós tenhamos a chance de um dia nos reinventar, com mais ou menos maquiagem, mais ou menos cobertura, mas que seja sempre pra melhor.

Monólogo de Cheryl no filme Livre: 
"E se eu me perdoei? Eu pensei. E se eu me perdoei mesmo tendo feito coisas que eu não deveria? E se eu era mentirosa e traia e não tinha desculpa para o que eu fiz além de que era o que eu queria e precisava fazer? E se eu senti muito, mas se eu pudesse voltar no tempo eu não teria feito nada diferente do que eu já fiz? E se eu realmente quis dormir com todos aqueles caras? E se a heroína me ensinou alguma coisa? E se sim fosse a resposta certa ao invés de não? E se o que me fez fazer todas aquelas coisas que todos pensavam que eu não deveria ter feito também foi o que me trouxe até aqui? E se eu nunca for perdoada? E se eu já tivesse sido? "- Cheryl Strayed.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

De Onde Veio a Inspiração: Na Natureza Selvagem (Into the Wild)

Não sei se sou eu que imagino coisas demais, mas sinto que muitas das pessoas com quem convivo ou converso não entendem meu jeito de pensar, de ver as coisas ao meu redor e a vontade de viver em um mundo diferente deste, talvez um mundo que fosse apenas meu. Na verdade, nada é tão simples e lindo assim, mas hoje, gostaria de compartilhar com vocês a história que me abriu os olhos para uma realidade diferente, muito mais atrativa e importante (ao MEU ver) de "gastar"a nossa vida.

"NA NATUREZA SELVAGEM" como o livro e o filme são intitulados, é a história real de Christopher McCandless; que inspirou minha vida e fez explodir em mim o desejo de viajar, explorar, experimentar e conhecer...conhecer antes de tudo à mim mesma.
Ao final desse texto, não espero que ninguém concorde com meu pensar, mas que entendam o por quê  e de onde veio esse impulso em mim.

Christopher McCandless foi um jovem de 22 anos, que apesar de ter tudo na vida (família com bom status social, diploma em mãos, família, amigos e tudo o mais que o dinheiro poderia comprar) se viu preso e sufocado nas redes de mentira da sociedade capitalista e pressionado a ser mais um robô fadado à uma vida pré-moldada e medíocre.
"Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes.”
(THOREAU, em "Walden ou A vida nos bosques")
Abriu, então, mão de tudo o que tinha e partiu na maior e última aventura de sua abreviada vida. Seguiu sozinho rumo ao Alaska, sem dinheiro, sem identidade e sem família em busca da verdade sobre si mesmo, em busca do significado mais puro da palavra "humano", vivendo com muito pouco e principalmente em contato com a Natureza, selvagem e primitiva. Registrou momentos importantes de sua jornada com citações próprias e de autores que o inspiravam, como Tolstói, Thoreau, Twain e London; adotou também o pseudônimo Alexander Supertramp (super andarilho, em português), dando vida assim à quem ele sempre quis ser, enfim.
Uma citação importante que McCandless fez e que foi usada como abertura do filme retrata exatamente seus sentimentos perante à sociedade e mais ainda sua ansiedade relativa à jornada em questão:
" Há um tal prazer nos bosques inexplorados, 
Há uma tal beleza na praia solitária, 
Há uma sociedade que ninguém invade, 
Perto do mar profundo e da música do seu bramir, 
Não que ame menos o homem, 
Mas amo mais a Natureza." 
(Lord Byron)

McCandless passou 2 anos na estrada, cortou os E.U.A de sul a norte, conheceu inúmeras pessoas que marcaram sua vida e lhe ensinaram valiosas lições.

O título dessa obra traduz bem a filosofia da história: A natureza é selvagem e inóspita, mas esse não é o problema. O problema está no despreparo do ser humano que ao deixar de ser caça não conseguiu se desvincular do pensamento de caçador, esquecendo de que viver na natureza exige habilidades especiais como qualquer outro animal precisa. "O que nos difere dos animais não é exatamente o que nos separa deles".
A grande moral da história é sobre ser fiel às suas convicções e mesmo assim ter a humildade de ser um aprendiz na vida, buscando verdades simples; por que no fim, viver no conforto de nossas casinhas, tudo é controlado e vazio de conteúdo. Viver e morrer em busca daquilo que se acredita ser felicidade plena é uma dádiva e não má sorte; mesmo que alguns ideais sejam tão perigosos quanto a própria natureza.
O que mais me chama a atenção, é que McCandless idolatrava o elemento primordial da natureza, infinito e em constante transformação. Um ciclo eterno de onde tudo nasce e para onde tudo retorna. O fato de entender a simplicidade deste conceito e se recusar a viver obstante do único ciclo que toda a sociedade em que vivemos menospreza. E que ainda tão jovem como era foi capaz de entender que felicidade não está no existir e no ter; e sim, no viver e no ser.
Ao contrário do que muitos acreditam, essa não é a história de um moleque egoísta revoltado com seus pais, e vai muito além de erros cometidos por imaturidade e precipitação, apesar de ter sido sim, de certa maneira, egoísta, extremista e desafiador dos limites humanos, naturais e do bom senso. É a história de um jovem que sofreu por tanto tempo que a única maneira que encontrou de se livrar da angústia que o consumia foi se reinventar, conhecer a si próprio tão profundamente que só assim poderia voltar e viver em sociedade sem ser manipulado e corroído pela mesma. Alex, como gostava de ser chamado, teve a coragem de encontrar seu verdadeiro "eu interior" e de conviver com ele e apenas ele, por tempo demais. Alex é o grito entalado na garganta de todos nós, que alguma vez quisemos desesperadamente nos libertar daquilo que nos corrói de forma mais doída e atormentadora. Ele é o 1 segundo de coragem que a maioria de nós precisa para tomar uma atitude essencial. O mais incrível nisso tudo é que após sobreviver todas as adversidades e exorcizar seus demônios, alcançou seu próprio Nirvana e se viu preparado para refazer as pazes, voltar e recomeçar em sociedade.
McCandless não foi um herói ou um mártir, só era alguém que amava a Natureza, entendia seu papel no ciclo da vida como poucos o fizera; não queria luxo, nem rotina, ele queria viver dos seus instintos da forma mais primitiva, não apenas para o corpo mas principalmente para a alma.
Ao mesmo passo que sua ingenuidade e arrogância o mataram, porque acreditou que todo seu conhecimento e experiência de 3 meses eram suficientes para mantê-lo vivo em condições tão inóspitas e controladas unicamente pelas forças naturais quanto o Alaska. McCandless morreu sozinho no Magic Bus 142, Alaska; de inanição provocada por intoxicação grave devido à ingestão de plantas tóxicas confundidas com amoras silvestres. Em meio aos seus delírios finais, Christopher teve uma epífane que concluiu como ninguém toda a sua jornada e resultado de suas buscas: "A felicidade só é real quando compartilhada". 
O que não significa que McCandless se arrependeu de tudo o que fez, muito pelo contrário, o único lamento que teve foi de não ter tido a chance de voltar a tempo de compartilhar a felicidade plena que ele encontrou depois de todas as provações passadas, sozinho.

"A alegria da vida vem em nossos encontros com novas experiências e,  
portanto, não há alegria maior que ter um horizonte sempre cambiante, 
cada dia um novo e diferente Sol. 
[...] 
Você está errado se acha que alegria emana somente ou principalmente das relações 
humanas. 
Deus a atribuiu em toda a nossa volta. 
Está em tudo e qualquer coisa que possamos experimentar. 
Só temos de ter a coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual 
e nos comprometer com um modo de viver não convencional". 
(McCANDLESS, 1992 apud KRAKAUER, 2010, p.68)

Enfim, essa não é a única história que me inspirou, mas foi a primeira e por isso a mais importante.
PS: A capa de fundo deste blog é de Na Natureza Selvagem.

Aloha.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sobre Minhas Andanças: Tailândia

Foram 13 dias na Tailândia e várias cidades diferentes.

BANGKOK:
Saímos de Siem Reap dia 03/07/14 às 8:00am. A fronteira Camboja/Tailândia é um caos ainda maior que entre Vietnam/Camboja, uma bagunça, milhares de pessoas, nenhuma informação e claro: o faça você mesmo. Levamos cerca de 2h para conseguirmos atravessar a fronteira com o visto em mãos e uma queda de pressão ao qual tive que me arrastar na fila por mais de uma hora. Depois disso, seguimos por mais 5h de viagem de van até Bangkok. Chegamos no nosso Hostel por volta das 19:00pm, porque o motorista fez quase 20 paradas pelo caminho. Alugamos um quarto em um dos milhares de hostels/hotéis da super famosa e badalada, Khao San Road. O quarto original não tinha ventilador e não dava para ficar dentro do quarto, que mais parecia uma sauna, então pedimos para mudar para um com ar condicionado, porém, só havia um quarto de casal, então adaptamos um colchete no chão, que foi minha cama por 4 longas e divertidas noites.
O hostel na verdade não era grande coisa e tínhamos que pagar adicionais por cada respirada que dávamos lá, mas a localização era simplesmente ótima. Tá com fome? Só descer a escada e pronto, tem dezenas de restaurantes, bares, pubs, baladas, atrações, música, tudo ali, em 500 metros de rua.

 


PS: Bangkok é a capital mundial de transexuais e eles estavam aos montes, muitos deles não podiam ser reconhecidos como transgêneros de jeito nenhum. A maioria, pelo que pude notar, são nascidos homens e se tornaram fisicamente mulheres, mas você só percebe ou pela voz ou porque eles mesmos falam. Divertidos, extravagantes como a própria Bangkok, que é uma Vila Madalena/Rua Augusta de São Paulo, simplesmente sensacional no quesito diversão!

Mas fora a Khao San Road, Bangkok é uma cidade bem grande e os pontos turísticos ficam bem espalhados pela cidade então, de certo modo, é difícil se locomover de um ponto ao outro porque tudo leva muito tempo para se chegar.
Mesmo que eu não seja muito adepta à culinária oriental, a tailandesa com certeza foi a que menos me agradou, mas ainda assim experimentei alguns dos pratos famosos como o Pad Thai, Chu Chee Pla (peixe assado na folha de bananeira- esse foi sensacional).
PS: evitem comer fast foods, não dá para confiar na procedência dos alimentos e qualidade deles lá, eu comi um McDonald's e passei mal 3 dias!

Compramos um pacote de passeio de um dia inteiro, que nos levou ao famoso Mercado Flutuante (Floating Market), que na verdade fica fora de Bangkok. Esse lugar é bastante interessante porque é uma feira gigantesca, distribuída por entre canais, e o tráfego é feito por canoas com turistas e canoas de vendedores, além das barraquinhas em terra.

 


Visitamos o Rose Garden, que é um parque na qual retratam uma típica fazenda tailandesa, com plantas e flores típicas, há uma casa de fazenda, que retrata a vida que os fazendeiros tailandeses levavam, trabalhavam principalmente na produção de arroz, búfalos e pesca. Há também vários stands com demonstrações de fabricação de seda, produção de peças em seda com teares, produção de cerâmica. Lá também, assistimos um show de elefantes e um show com danças tradicionais, representação de casamento, orquestra tailandesa, artes marciais e miai thai.
Esses dois passeios valem muito a pena.


Num outro dia, alugamos um tuk tuk por, pasmem, 0,66 centavos de USD por 4h para nos levar aos templos mais próximos. Visitamos Vários templos mas os mais importantes foram o Wat Arun, passeamos de barco pelos canais do rio que cerca o Wat Arun, e foi a maior furada da viagem, na verdade os barcos se entranhavam em canais onde desembocavam esgoto no meio de uma grande favela, o mau cheiro era insuportável e a visão daquele lado da cidade, nada agradável; e o Wat Pho, onde há o Buddha Reclinado (Reclining Buddha) que tem 15m de altura e 43m de comprimento recobertos de ouro e os pés, entalhados em madre pérolas. E o complexo de templos em que o Buddha Reclinado se encontra é belíssimo, com mais de 1200 imagens de Buddha e muitos templos brancos com detalhes coloridos e banhados à ouro.







KRABI:
PS: Em Bangkok compramos um pacote para o resto de nossa viagem, pois já estávamos cansados de ficar procurando hostels, meios de transporte e etc, então fomos à uma agência de turismo que vendia pacotes para estudantes e fechamos esse pacote para Krabi, Koh Phi Phi e Phuket, que incluía todos os translado, hotel e algumas outras facilidades.
Saímos de Bangkok e seguimos de ônibus por 15 horas até Krabi, uma das províncias da Tailândia.
Krabi é no litoral e embora todos os dias que ficamos por lá estiveram nublados, as praias são bastante bonitas. Tiramos esses dias para relaxar, não ficar correndo atrás de pontos turísticos porque estávamos muito cansados. Só queríamos comer bem, andar pelo centrinho e relaxar na praia.
Alugamos uma vespa (sim, uma vespa para três pessoas, lá todo mundo anda assim, com 3 ou 4 crianças penduradas nas motos, porque não é preciso de carteira de motorista para dirigir) e fomos ao Cemitério de Conchas (Shell Cemetery) que fica no parque nacional, seguimos para a praia de Noppharathara que quando a maré baixa dá para ir caminhando até 3 ilhotas em frente. Fomos para mais duas praias vizinhas com vilas de pescadores.
Os restaurantes em Krabi oferecem comidas bem melhores que em Bangkok mas também custam um pouquinho mais.
No dia 12/07/14 saímos de Krabi rumo a Koh Phi Phi (Ilha Phi Phi).




KOH PHI PHI:
Pegamos um Ferry (barco bem grande) de Krabi até Phi Phi e pegamos o mar bem agitado.
Caminhamos do píer até o hostel, que não era nada do que vimos nas fotos, deixamos nossas coisas no hostel e fomos almoçar num restaurante pé na areia, com uma vista paradisíaca. (Tivemos que pagar 300 Baht para podermos usar o ar condicionado do quarto).
O mar lá parece que foi pintado à mão, uma mistura de tons verdes e azuis, que reluzem contra a luz do sol, formando uma tonalidade única.
A ilha é bem pequena, podendo ser atravessada em 15 minutos caminhando, tendo duas praias principais, norte e sul da ilha.

CURIOSIDADE: Phi Phi foi atingida pelo Tsunami de 2004 e foi totalmente devastada pelas ondas, quem tiver interesse, assistam O Ímpossível, que retrata a história de uma família britânica que sobreviveu ao tsunami na ilha. Há placas de evacuação por toda a ilha e quando se chega de ferry no píer, é o mesmo píer de todos aqueles vídeos que tem no youtube, dos barcos sendo arrastados pelas ondas e encalhados na areia. Pelo menos para mim, que sempre tive um interesse muito grande por esse acontecimento, o primeiro impacto ao descer na ilha, olhar 360 graus no píer e saber que ali tantas pessoas morreram...é de arrepiar.
Hoje, a ilha está toda restaurada é bem simples, muito comércio, festas na praia, shows de pirofagia, agencias de turismo com todo o tipo de passeios e pacotes imagináveis, restaurantes, bares e pubs com musica alta, atmosfera super alto astral e o mundo inteiro dentro de uma ilha, mas claro, há também os grandes resorts 5 estrelas na ponta mais afastada da ilha.




Compramos um tour pelas ilhas e praias ao redor de Phi Phi, foi simplesmente o melhor dia da viagem!!! Mas como o mar é bastante agitado e o barco é quase uma jangada (a meu ver), tive que me entupir de remédios contra enjôo. As paradas foram Railey Beach, Shark Bay (sim, pode-se nadar com tubarões lá, mas infelizmente, por obra do destino ou mandinga da minha mãe, o mar estava agitado de mais e o barco não conseguiu atracar), Ilha do Bamboo (Bamboo Island- a ilha fica dentro do Parque Nacional, ela é linda vista do mar, mas dentro muito suja, poluída pelos turistas), fizemos snorkelling em algum lugar entre Shark Bay e Bamboo Island, que foi surreal, a variedade e quantidade de espécies marinhas e o recife de corais tão colorido e variado é de tirar o fôlego!, Monkey Island (Ilha dos Macacos - literalmente tomada por macacos, que roubam tua comida, pulam dentro dos barcos e tocam um terrorzinho nos turistas, foi divertido), Blue Laggon (Lagoa Azul - quando a maré baixa forma uma grande lagoa cercada por rochedos impedindo a passagem dos barcos, mas quando a maré sobe, os barcos podem entrar na lagoa e assim os turistas podem relaxar, fazer snorkelling ou só nadar), Maya Bay é sem dúvidas um dos lugares mais famosos de toda a Tailândia, é um complexo de rochedos que formam uma baía, com águas bem calmas e cristalinas; é uma aventura para chegar até lá, porque tem que passar por meio de pedras, caminhar pelo mar, subir rochas, descer, caminhas um trecho na floresta para enfim chegar; quando a maré baixa tem-se acesso à uma pequena praia dentro da baía, e ao invés de areia tem o fundo todo de pedregulhos bem arredondados; no caminho de volta, já era noite, paramos novamente para observar os Plânktons Bioluminescentes (bioluminescent plankton), estava muito frio, todo mundo molhado e mesmo assim foi mágico, estar em um barco a noite, no meio do oceano, vendo todos aqueles seres microscópicos cintilando no mar conforme movimentamos a água.
Jantamos com um casal (Britânico/Norueguesa) que conhecemos no passeio, que depois seguiram viagem com a gente para Phuket.









CURIOSIDADE: quem tiver interesse ou já assistiu pode reconhecer Maya Bay do filme A Praia com Leonardo DiCaprio, o filme todo foi gravado lá.

PHUKET:
Pegamos o ferry para Phuket (14/07/14) e foi centenas de vezes pior do que a ida, estava chovendo, o mar super agitado, com ondas que balançavam um ferry daquele tamanho a ponto de não enxergarmos a proa da embarcação, deu muito medo.
Phuket é a segunda maior cidade da Tailândia e é bem o mesmo esquema que Bangkok: bagunça, festa! Mas eu, particularmente, gostei mais de Phuket. As pessoas eram mais sociáveis, fazendo festas nas ruas. Phuket também tem uma avenida principal com os bares e boates, cassinos e "ping pong shows" por todos os lados! Infelizmente, os dias que passamos em Phuket estavam bastante chuvosos, então tivemos que fazer mais atividades indoor, fomos no Shopping que é gigantesco, assistimos à uma sessão de Planeta dos Macacos ( nos cinemas tailandeses, antes de começarem os trailers, passam um vídeo sobre o Rei da Tailandia, todos tem que se levantar ou então pagam uma multa), jogamos boliche, fomos em um restaurante japonês maravilhoso (e caro também), comemos Dunkin' Donuts. Alugamos 2 vespas, fomos até o View Point de Kata Beach, que é o ponto mais alto da região onde pode-se ver toda a baía, montanhas, praias, que te dá uma visão panorâmica bem bonita do lugar. Na estrada encontramos uma fazendinha de elefantes, paramos para vê-los e na volta, eu e Camillu sofremos uma queda com a vespa, nos machucamos um pouco, ralamos a vespa também, mas nada sério, voltamos para o Hotel dos nossos amigos que era mais perto, fizemos curativos, fomos conhecer a praia de Kata e depois jantamos num restaurante Western (isso significa comida ocidental, depois de 10 dias, foi a primeira vez que comi um bife bovino com purê de batatas!!! se tivesse ruim, estaria maravilhoso...sécoméqueé!) Devolvemos as vespas e fomos passear na Bangla Road (a avenida da bagunça). É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, tantas pessoas passando pelo mesmo lugar, que se não se focar no que está fazendo, você se perde!





No dia 16/07/14 acordamos as 4:00am para pegar o vôo de volta à Perth- Australia e acabou-se o sonho da viagem mais maluca, mal planejada, estressante e divertida já feita na vida. Obviamente foi uma das primeiras, mas certamente não será a última.

Quando se faz uma viagem, sozinho ou com amigos, em que você se permite experimentar tudo o que foge à sua realidade, em que se permite a aprender tudo o que é novo e mais do que experimentar e aprender, é viver a realidade do lugar que está conhecendo, de alguma maneira você nunca mais é o mesmo, de alguma maneira o que aprendeu, o que ficou gravado na memória, uma cena, uma paisagem...essa é a maior riqueza do ser humano, é o maior e melhor investimento que alguém pode se dar, porque não tem como perder, podem acontecer vários problemas como foi o nosso caso, mas aprendemos com nossos erros, aprendemos a lidar com situações que jamais havíamos passado anteriormente e ganhamos experiência! Por um lado, a viagem foi extremamente desgastaste para nossa amizade, tanto que quando voltamos, ficamos quase duas semanas sem nos vermos ou nos falarmos, porque o convívio foi muito mais do que intenso, porém, passado nossas "férias" um do outro, percebemos que o vínculo que criamos tanto entre nós, quanto com as pessoas que fizemos amizade pelo caminho se intensificaram e perduram até hoje. Esse é o melhor presente que se pode ganhar!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sobre Minhas Andanças: Camboja

Antes de mais nada, gostaria de deixar aqui registrado que essa viagem, pelo menos esse trecho da viagem, foi até agora uma das maiores realizações que já tive, um sonho desde sempre era conhecer o Camboja e no final desse post, espero que vocês tenham motivos o suficiente pra entender os por quês.

Saímos de HCMC (Saigon) as 8:00am em um ônibus com destino a Phnom Penh, capital do Camboja. A viagem até Phnom Penh foi segura comparada ao jeito que os motoristas dirigem por lá.
Chegamos na fronteira Vietnam- Camboja por volta das 11:00am, retiramos nosso visto na embaixada e continuamos a viagem até Phnom Penh.
PS: Para retirar o visto, o motorista te deixa em uma espécie de pátio, cheio de ônibus, turistas e vendedores ambulantes e ai é por sua conta, eles te dão 1h para entrar na embaixada e sair de lá, do outro laca com o visto em mãos, a pé. Acredito ter sido um dos momentos mais estressantes da viagem, porque ninguém te dá informação correta ou eles não te entendem ou você que não os entende e o medo de ser deixado pra trás, naquele lugar completamente desconhecido, é bastante preocupante.
Bom, chegamos em Phnom Penh por volta das 15:00h mas o ônibus de Phnom Penh para Siem Reap saia apenas as 18:00h, então fomos comer e ficamos esperando na "rodoviária", que mais tinham carroças e tuk tuk's, do que ônibus. Pegamos um micro-ônibus lotado, toda a bagagem dos passageiros foi colocada entre nossos pés e no corredor do micro-ônibus, ou seja, não dava pra se mexer lá dentro. Como se a falta de espaço não fosse o bastante, o motorista ainda parou na estrada 3 vezes para dar carona  à três andantes, que obviamente foram sentados em cima de nossas bagagens.
A paisagem no caminho, era simplesmente incrível, campos vastos bem verdes ( um verde que não vemos aqui), campos de arroz, búfalos e gado por todo lado. As casas, em sua grande maioria são de madeira suspensas e a condição social e econômica da população vai muito além de a baixo da linha da pobreza.
A noite, a estrada ganha outra forma, escuridão total, silêncio total, raramente víamos luzes de casas bem distantes da estrada. O que nos chamou bastante a atenção foi que em certo momento, começamos a ver luzes negras com redes espalhadas por pastos, muitas mesmo; e depois viemos a saber que com essas luzes os cambojanos capturam insetos, aqueles que todo mundo come nas feirinhas da cidade.
Era cerca de 00:30am quando chegamos em Siem Reap, pegamos um tuk tuk e fomos para o Hotel, que foi na verdade o melhor hotel em que ficamos hospedados em toda a viagem.
No dia seguinte, tomamos café da manhã, alugamos bicicletas por 1,00 USD/dia e fomos conhecer a cidade. Passamos pelo Museu Nacional Cambojano (Cambodian National Museum), que é maravilhoso, seguimos para o Old Market, que é o quarteirão mais famoso da cidade, centenas de lojinhas, camelôs, restaurantes, bares, spas e diversidade estão ali.


A cidade em si é também muito melhor estruturada do que as do Vietnam, parece que foi planejada para turistas, tudo é bem limpo, reformado, iluminado, pinturas bem cuidadas. Há muitos monumentos pela cidade, parques, as avenidas são bem bonitas e as pessoas são bem mais amigáveis e felizes. Porém, o transito é péssimo como em qualquer lugar na ásia e andar de bicicleta lá foi quase como um atentado suicida.
Fomos até a Pub Street, rua mais badalada da cidade, todos os pubs, bares e restaurantes famosos, divertidos e com a culinária mais variada possível estão lá. O custo de vida no Camboja é um pouco mais elevado, comparado aos países em que ficamos, foi o mais caro para se comer, com refeições completas variando entre 8,00 e 15,00 USD, o que para nós foi bem caro.


Fizemos a famosa massagem com os peixes (fish massage), que na verdade não são massagistas, esses peixes comem a pele morta dos pés e pernas, e a sensação deles mordiscando a sua pele seria como uma massagem, eu particularmente, senti foi cócegas, mal conseguia ficar com os pés dentro d'água, já meus amigos, gostaram.


Visitamos também a Fazenda de Crocodilos (Crocodile Farm), que não foi grande coisa, apenas grandes tanques com crocodilos ainda maiores, coisa pouca 4 ou 5 metros de comprimento.
A noite visitamos o Mercado Noturno (The Night Market) que fica atrás do Old Market, e também tem inúmeras lojinhas, camelôs e barraquinhas de lanche e petiscos só que com muito mais cores e luzes, música alta, pessoas dançando e cantando no meio da rua.


DICA DE PUB: o ANGKOR WHAT? BAR, esse pub foi o fundador da Pub Street e por causa dele a rua recebeu esse nome, o lugar é sensacional, uma atmosfera incrível, para pessoas mais alternativas, excelente música, atendimento maravilhoso (os garçons brincavam com a gente) e a melhor parte, você recebe uma caneta para deixar sua marca nas paredes do lugar, então o que vocês vêem na foto, são assinaturas, frases e desejos de todos os que por lá passaram.


DICA DE RESTAURANTE: o The Red Piano é um restaurante que fica no topo de um prédinho, dá para ver toda a Pub Street, tem uma decoração bastante peculiar: Tomb Raider. Para quem não sabe, Tomb Raider foi o filme que alavancou a carreira de Angelina Jolie, e quando ela estava gravando o filme, lá mesmo, no Templo Ta Prohm; Angelina jantou nesse restaurante e criou uma bebida que recebeu o nome de Tomb Raider.

(Fonte: Google)

Ah e claro, não pode esquecer de parar em um dos carrinhos para experimentar as famosas iguarias como grilos, baratas, tarântulas, escorpiões, cobras, sapos e morcegos. Todo mundo tem que ter uma foto dessas.


O ponto alto do Camboja sem dúvidas é o passeio pelo complexo de templos de Angkor Wat. Impossível passar pelo Camboja e não conhecer mais um dos Patrimônios da Humanidade pela UNESCO. Angkor em Khmer (língua oficial do Camboja) significa Cidade Sagrada e seu complexo de templos foram construídos entre século IX e XII A.C e foram construídos por ordem dos Reis do Império Khmer, nesta época mais de 1 milhão de pessoas viviam lá. O complexo Angkor Wat compreende 51 templos e seria preciso 3 dias de passeio em período integral para ver todos, por isso, escolhemos os 7 principais, sendo eles: Angkor Wat( na qual se vê o nascer do Sol as 5:00am), Angkor Thom (Bayon- terraço dos elefantes), Preah Khan, Neak Pean, Ta Prohm (Templo onde foi filmado Tomb Raider) e Banteay Kdei. Cada um dos templos tem uma história bem particular, de ascensão, guerras e declínio.
PS: É necessário comprar um ticket para fazer esse tour pelos templos e custa 20,00 USD com sua foto (eu fui sortuda e roubaram o meu, tive que voltar e comprar outro).
A riqueza de detalhes dos templos, esculturas e a própria arquitetura são um prato bem cheio para a imaginação das pessoas, por um momento você consegue retratar 1.700 A.C na sua cabeça e imaginar como teria sido a vida das pessoas que lá viveram e por maior que seja seu esforço, sempre haverá uma grande lacuna na história. Grandes piscinas, salões de festas, oratórios, sala, cozinha, quartos e banheiros, tudo está lá, alguns quase intactos, outros muito danificados, pelo tempo, pelas guerras...mas a história, ah...a história ninguém apaga, ninguém danifica.









Confesso que esse foi o melhor e pior dia da minha vida...melhor, porque esse era um dos sonhos a serem realizados: A Cidade dos Templos. E pior, porque estava um calor de 38 graus, fizeram a gente usar calça comprida e apesar de termos feito todos os trechos entre os templos de tuk tuk, o esforço físico para subir e descer todas aquelas escadarias, o calor e a desidratação, me fizeram literalmente, me sentir como em uma guerra, uma guerra com meu próprio corpo.
Voltamos ao hotel quase mortos, jantamos e dormimos....no dia seguinte? No dia seguinte foi estrada...estrada rumo à Bangkok- Tailândia!

IMPRESSÕES GERAIS SOBRE O CAMBOJA:
Sem dúvidas era o país que eu estava mais ansiosa para conhecer e nem por um minuto deixou à desejar. Siem Reap é uma cidade com uma energia tão forte que te faz pensar, mesmo que não queira. A Vibe da cidade é surreal, super alto astral, divertida, relaxada. Angkor Wat é um local muito místico, intenso e de uma beleza nunca antes vista. E a vida nortuna, mesmo que não tenhamos saído pra "night" foi sensacional, de certa maneira faz você querer ser quem não é, talvez se reinventar por uma ou duas noites, teu coração palpita forte o tempo todo, tudo é novidade, tudo é atrativo!
Não há dúvidas que o Camboja marcou a minha vida, minha passagem pela Ásia e me fez querer conhecer não só aquilo que é lindo aos olhos, mas aquilo que prende a alma.

GASTOS:
No Camboja, tudo de pende de quanto você quer gastar, tem tudo para todos os gostos e bolsos. No meu caso, bolso não era uma opção e consequentemente os gostos tinham que ser escondidos.  Tínhamos um orçamento diário de 50,00 USD para toda a viagem, então tivemos que fazer nossos gostos caberem nos nossos bolsos, o que na verdade não foi muito difícil. Separamos um dia para comer bem, experimentar uma bebida diferente ou fazer algo mais caro, nos demais dias, segurávamos um pouquinho.
Tive uma média diária de 46,98 USD e um total de 140,95 USD. Lembrando que ficamos apenas 3 dias.


Aloha.