terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

De Onde Veio a Inspiração: Na Natureza Selvagem (Into the Wild)

Não sei se sou eu que imagino coisas demais, mas sinto que muitas das pessoas com quem convivo ou converso não entendem meu jeito de pensar, de ver as coisas ao meu redor e a vontade de viver em um mundo diferente deste, talvez um mundo que fosse apenas meu. Na verdade, nada é tão simples e lindo assim, mas hoje, gostaria de compartilhar com vocês a história que me abriu os olhos para uma realidade diferente, muito mais atrativa e importante (ao MEU ver) de "gastar"a nossa vida.

"NA NATUREZA SELVAGEM" como o livro e o filme são intitulados, é a história real de Christopher McCandless; que inspirou minha vida e fez explodir em mim o desejo de viajar, explorar, experimentar e conhecer...conhecer antes de tudo à mim mesma.
Ao final desse texto, não espero que ninguém concorde com meu pensar, mas que entendam o por quê  e de onde veio esse impulso em mim.

Christopher McCandless foi um jovem de 22 anos, que apesar de ter tudo na vida (família com bom status social, diploma em mãos, família, amigos e tudo o mais que o dinheiro poderia comprar) se viu preso e sufocado nas redes de mentira da sociedade capitalista e pressionado a ser mais um robô fadado à uma vida pré-moldada e medíocre.
"Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes.”
(THOREAU, em "Walden ou A vida nos bosques")
Abriu, então, mão de tudo o que tinha e partiu na maior e última aventura de sua abreviada vida. Seguiu sozinho rumo ao Alaska, sem dinheiro, sem identidade e sem família em busca da verdade sobre si mesmo, em busca do significado mais puro da palavra "humano", vivendo com muito pouco e principalmente em contato com a Natureza, selvagem e primitiva. Registrou momentos importantes de sua jornada com citações próprias e de autores que o inspiravam, como Tolstói, Thoreau, Twain e London; adotou também o pseudônimo Alexander Supertramp (super andarilho, em português), dando vida assim à quem ele sempre quis ser, enfim.
Uma citação importante que McCandless fez e que foi usada como abertura do filme retrata exatamente seus sentimentos perante à sociedade e mais ainda sua ansiedade relativa à jornada em questão:
" Há um tal prazer nos bosques inexplorados, 
Há uma tal beleza na praia solitária, 
Há uma sociedade que ninguém invade, 
Perto do mar profundo e da música do seu bramir, 
Não que ame menos o homem, 
Mas amo mais a Natureza." 
(Lord Byron)

McCandless passou 2 anos na estrada, cortou os E.U.A de sul a norte, conheceu inúmeras pessoas que marcaram sua vida e lhe ensinaram valiosas lições.

O título dessa obra traduz bem a filosofia da história: A natureza é selvagem e inóspita, mas esse não é o problema. O problema está no despreparo do ser humano que ao deixar de ser caça não conseguiu se desvincular do pensamento de caçador, esquecendo de que viver na natureza exige habilidades especiais como qualquer outro animal precisa. "O que nos difere dos animais não é exatamente o que nos separa deles".
A grande moral da história é sobre ser fiel às suas convicções e mesmo assim ter a humildade de ser um aprendiz na vida, buscando verdades simples; por que no fim, viver no conforto de nossas casinhas, tudo é controlado e vazio de conteúdo. Viver e morrer em busca daquilo que se acredita ser felicidade plena é uma dádiva e não má sorte; mesmo que alguns ideais sejam tão perigosos quanto a própria natureza.
O que mais me chama a atenção, é que McCandless idolatrava o elemento primordial da natureza, infinito e em constante transformação. Um ciclo eterno de onde tudo nasce e para onde tudo retorna. O fato de entender a simplicidade deste conceito e se recusar a viver obstante do único ciclo que toda a sociedade em que vivemos menospreza. E que ainda tão jovem como era foi capaz de entender que felicidade não está no existir e no ter; e sim, no viver e no ser.
Ao contrário do que muitos acreditam, essa não é a história de um moleque egoísta revoltado com seus pais, e vai muito além de erros cometidos por imaturidade e precipitação, apesar de ter sido sim, de certa maneira, egoísta, extremista e desafiador dos limites humanos, naturais e do bom senso. É a história de um jovem que sofreu por tanto tempo que a única maneira que encontrou de se livrar da angústia que o consumia foi se reinventar, conhecer a si próprio tão profundamente que só assim poderia voltar e viver em sociedade sem ser manipulado e corroído pela mesma. Alex, como gostava de ser chamado, teve a coragem de encontrar seu verdadeiro "eu interior" e de conviver com ele e apenas ele, por tempo demais. Alex é o grito entalado na garganta de todos nós, que alguma vez quisemos desesperadamente nos libertar daquilo que nos corrói de forma mais doída e atormentadora. Ele é o 1 segundo de coragem que a maioria de nós precisa para tomar uma atitude essencial. O mais incrível nisso tudo é que após sobreviver todas as adversidades e exorcizar seus demônios, alcançou seu próprio Nirvana e se viu preparado para refazer as pazes, voltar e recomeçar em sociedade.
McCandless não foi um herói ou um mártir, só era alguém que amava a Natureza, entendia seu papel no ciclo da vida como poucos o fizera; não queria luxo, nem rotina, ele queria viver dos seus instintos da forma mais primitiva, não apenas para o corpo mas principalmente para a alma.
Ao mesmo passo que sua ingenuidade e arrogância o mataram, porque acreditou que todo seu conhecimento e experiência de 3 meses eram suficientes para mantê-lo vivo em condições tão inóspitas e controladas unicamente pelas forças naturais quanto o Alaska. McCandless morreu sozinho no Magic Bus 142, Alaska; de inanição provocada por intoxicação grave devido à ingestão de plantas tóxicas confundidas com amoras silvestres. Em meio aos seus delírios finais, Christopher teve uma epífane que concluiu como ninguém toda a sua jornada e resultado de suas buscas: "A felicidade só é real quando compartilhada". 
O que não significa que McCandless se arrependeu de tudo o que fez, muito pelo contrário, o único lamento que teve foi de não ter tido a chance de voltar a tempo de compartilhar a felicidade plena que ele encontrou depois de todas as provações passadas, sozinho.

"A alegria da vida vem em nossos encontros com novas experiências e,  
portanto, não há alegria maior que ter um horizonte sempre cambiante, 
cada dia um novo e diferente Sol. 
[...] 
Você está errado se acha que alegria emana somente ou principalmente das relações 
humanas. 
Deus a atribuiu em toda a nossa volta. 
Está em tudo e qualquer coisa que possamos experimentar. 
Só temos de ter a coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual 
e nos comprometer com um modo de viver não convencional". 
(McCANDLESS, 1992 apud KRAKAUER, 2010, p.68)

Enfim, essa não é a única história que me inspirou, mas foi a primeira e por isso a mais importante.
PS: A capa de fundo deste blog é de Na Natureza Selvagem.

Aloha.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sobre Minhas Andanças: Tailândia

Foram 13 dias na Tailândia e várias cidades diferentes.

BANGKOK:
Saímos de Siem Reap dia 03/07/14 às 8:00am. A fronteira Camboja/Tailândia é um caos ainda maior que entre Vietnam/Camboja, uma bagunça, milhares de pessoas, nenhuma informação e claro: o faça você mesmo. Levamos cerca de 2h para conseguirmos atravessar a fronteira com o visto em mãos e uma queda de pressão ao qual tive que me arrastar na fila por mais de uma hora. Depois disso, seguimos por mais 5h de viagem de van até Bangkok. Chegamos no nosso Hostel por volta das 19:00pm, porque o motorista fez quase 20 paradas pelo caminho. Alugamos um quarto em um dos milhares de hostels/hotéis da super famosa e badalada, Khao San Road. O quarto original não tinha ventilador e não dava para ficar dentro do quarto, que mais parecia uma sauna, então pedimos para mudar para um com ar condicionado, porém, só havia um quarto de casal, então adaptamos um colchete no chão, que foi minha cama por 4 longas e divertidas noites.
O hostel na verdade não era grande coisa e tínhamos que pagar adicionais por cada respirada que dávamos lá, mas a localização era simplesmente ótima. Tá com fome? Só descer a escada e pronto, tem dezenas de restaurantes, bares, pubs, baladas, atrações, música, tudo ali, em 500 metros de rua.

 


PS: Bangkok é a capital mundial de transexuais e eles estavam aos montes, muitos deles não podiam ser reconhecidos como transgêneros de jeito nenhum. A maioria, pelo que pude notar, são nascidos homens e se tornaram fisicamente mulheres, mas você só percebe ou pela voz ou porque eles mesmos falam. Divertidos, extravagantes como a própria Bangkok, que é uma Vila Madalena/Rua Augusta de São Paulo, simplesmente sensacional no quesito diversão!

Mas fora a Khao San Road, Bangkok é uma cidade bem grande e os pontos turísticos ficam bem espalhados pela cidade então, de certo modo, é difícil se locomover de um ponto ao outro porque tudo leva muito tempo para se chegar.
Mesmo que eu não seja muito adepta à culinária oriental, a tailandesa com certeza foi a que menos me agradou, mas ainda assim experimentei alguns dos pratos famosos como o Pad Thai, Chu Chee Pla (peixe assado na folha de bananeira- esse foi sensacional).
PS: evitem comer fast foods, não dá para confiar na procedência dos alimentos e qualidade deles lá, eu comi um McDonald's e passei mal 3 dias!

Compramos um pacote de passeio de um dia inteiro, que nos levou ao famoso Mercado Flutuante (Floating Market), que na verdade fica fora de Bangkok. Esse lugar é bastante interessante porque é uma feira gigantesca, distribuída por entre canais, e o tráfego é feito por canoas com turistas e canoas de vendedores, além das barraquinhas em terra.

 


Visitamos o Rose Garden, que é um parque na qual retratam uma típica fazenda tailandesa, com plantas e flores típicas, há uma casa de fazenda, que retrata a vida que os fazendeiros tailandeses levavam, trabalhavam principalmente na produção de arroz, búfalos e pesca. Há também vários stands com demonstrações de fabricação de seda, produção de peças em seda com teares, produção de cerâmica. Lá também, assistimos um show de elefantes e um show com danças tradicionais, representação de casamento, orquestra tailandesa, artes marciais e miai thai.
Esses dois passeios valem muito a pena.


Num outro dia, alugamos um tuk tuk por, pasmem, 0,66 centavos de USD por 4h para nos levar aos templos mais próximos. Visitamos Vários templos mas os mais importantes foram o Wat Arun, passeamos de barco pelos canais do rio que cerca o Wat Arun, e foi a maior furada da viagem, na verdade os barcos se entranhavam em canais onde desembocavam esgoto no meio de uma grande favela, o mau cheiro era insuportável e a visão daquele lado da cidade, nada agradável; e o Wat Pho, onde há o Buddha Reclinado (Reclining Buddha) que tem 15m de altura e 43m de comprimento recobertos de ouro e os pés, entalhados em madre pérolas. E o complexo de templos em que o Buddha Reclinado se encontra é belíssimo, com mais de 1200 imagens de Buddha e muitos templos brancos com detalhes coloridos e banhados à ouro.







KRABI:
PS: Em Bangkok compramos um pacote para o resto de nossa viagem, pois já estávamos cansados de ficar procurando hostels, meios de transporte e etc, então fomos à uma agência de turismo que vendia pacotes para estudantes e fechamos esse pacote para Krabi, Koh Phi Phi e Phuket, que incluía todos os translado, hotel e algumas outras facilidades.
Saímos de Bangkok e seguimos de ônibus por 15 horas até Krabi, uma das províncias da Tailândia.
Krabi é no litoral e embora todos os dias que ficamos por lá estiveram nublados, as praias são bastante bonitas. Tiramos esses dias para relaxar, não ficar correndo atrás de pontos turísticos porque estávamos muito cansados. Só queríamos comer bem, andar pelo centrinho e relaxar na praia.
Alugamos uma vespa (sim, uma vespa para três pessoas, lá todo mundo anda assim, com 3 ou 4 crianças penduradas nas motos, porque não é preciso de carteira de motorista para dirigir) e fomos ao Cemitério de Conchas (Shell Cemetery) que fica no parque nacional, seguimos para a praia de Noppharathara que quando a maré baixa dá para ir caminhando até 3 ilhotas em frente. Fomos para mais duas praias vizinhas com vilas de pescadores.
Os restaurantes em Krabi oferecem comidas bem melhores que em Bangkok mas também custam um pouquinho mais.
No dia 12/07/14 saímos de Krabi rumo a Koh Phi Phi (Ilha Phi Phi).




KOH PHI PHI:
Pegamos um Ferry (barco bem grande) de Krabi até Phi Phi e pegamos o mar bem agitado.
Caminhamos do píer até o hostel, que não era nada do que vimos nas fotos, deixamos nossas coisas no hostel e fomos almoçar num restaurante pé na areia, com uma vista paradisíaca. (Tivemos que pagar 300 Baht para podermos usar o ar condicionado do quarto).
O mar lá parece que foi pintado à mão, uma mistura de tons verdes e azuis, que reluzem contra a luz do sol, formando uma tonalidade única.
A ilha é bem pequena, podendo ser atravessada em 15 minutos caminhando, tendo duas praias principais, norte e sul da ilha.

CURIOSIDADE: Phi Phi foi atingida pelo Tsunami de 2004 e foi totalmente devastada pelas ondas, quem tiver interesse, assistam O Ímpossível, que retrata a história de uma família britânica que sobreviveu ao tsunami na ilha. Há placas de evacuação por toda a ilha e quando se chega de ferry no píer, é o mesmo píer de todos aqueles vídeos que tem no youtube, dos barcos sendo arrastados pelas ondas e encalhados na areia. Pelo menos para mim, que sempre tive um interesse muito grande por esse acontecimento, o primeiro impacto ao descer na ilha, olhar 360 graus no píer e saber que ali tantas pessoas morreram...é de arrepiar.
Hoje, a ilha está toda restaurada é bem simples, muito comércio, festas na praia, shows de pirofagia, agencias de turismo com todo o tipo de passeios e pacotes imagináveis, restaurantes, bares e pubs com musica alta, atmosfera super alto astral e o mundo inteiro dentro de uma ilha, mas claro, há também os grandes resorts 5 estrelas na ponta mais afastada da ilha.




Compramos um tour pelas ilhas e praias ao redor de Phi Phi, foi simplesmente o melhor dia da viagem!!! Mas como o mar é bastante agitado e o barco é quase uma jangada (a meu ver), tive que me entupir de remédios contra enjôo. As paradas foram Railey Beach, Shark Bay (sim, pode-se nadar com tubarões lá, mas infelizmente, por obra do destino ou mandinga da minha mãe, o mar estava agitado de mais e o barco não conseguiu atracar), Ilha do Bamboo (Bamboo Island- a ilha fica dentro do Parque Nacional, ela é linda vista do mar, mas dentro muito suja, poluída pelos turistas), fizemos snorkelling em algum lugar entre Shark Bay e Bamboo Island, que foi surreal, a variedade e quantidade de espécies marinhas e o recife de corais tão colorido e variado é de tirar o fôlego!, Monkey Island (Ilha dos Macacos - literalmente tomada por macacos, que roubam tua comida, pulam dentro dos barcos e tocam um terrorzinho nos turistas, foi divertido), Blue Laggon (Lagoa Azul - quando a maré baixa forma uma grande lagoa cercada por rochedos impedindo a passagem dos barcos, mas quando a maré sobe, os barcos podem entrar na lagoa e assim os turistas podem relaxar, fazer snorkelling ou só nadar), Maya Bay é sem dúvidas um dos lugares mais famosos de toda a Tailândia, é um complexo de rochedos que formam uma baía, com águas bem calmas e cristalinas; é uma aventura para chegar até lá, porque tem que passar por meio de pedras, caminhar pelo mar, subir rochas, descer, caminhas um trecho na floresta para enfim chegar; quando a maré baixa tem-se acesso à uma pequena praia dentro da baía, e ao invés de areia tem o fundo todo de pedregulhos bem arredondados; no caminho de volta, já era noite, paramos novamente para observar os Plânktons Bioluminescentes (bioluminescent plankton), estava muito frio, todo mundo molhado e mesmo assim foi mágico, estar em um barco a noite, no meio do oceano, vendo todos aqueles seres microscópicos cintilando no mar conforme movimentamos a água.
Jantamos com um casal (Britânico/Norueguesa) que conhecemos no passeio, que depois seguiram viagem com a gente para Phuket.









CURIOSIDADE: quem tiver interesse ou já assistiu pode reconhecer Maya Bay do filme A Praia com Leonardo DiCaprio, o filme todo foi gravado lá.

PHUKET:
Pegamos o ferry para Phuket (14/07/14) e foi centenas de vezes pior do que a ida, estava chovendo, o mar super agitado, com ondas que balançavam um ferry daquele tamanho a ponto de não enxergarmos a proa da embarcação, deu muito medo.
Phuket é a segunda maior cidade da Tailândia e é bem o mesmo esquema que Bangkok: bagunça, festa! Mas eu, particularmente, gostei mais de Phuket. As pessoas eram mais sociáveis, fazendo festas nas ruas. Phuket também tem uma avenida principal com os bares e boates, cassinos e "ping pong shows" por todos os lados! Infelizmente, os dias que passamos em Phuket estavam bastante chuvosos, então tivemos que fazer mais atividades indoor, fomos no Shopping que é gigantesco, assistimos à uma sessão de Planeta dos Macacos ( nos cinemas tailandeses, antes de começarem os trailers, passam um vídeo sobre o Rei da Tailandia, todos tem que se levantar ou então pagam uma multa), jogamos boliche, fomos em um restaurante japonês maravilhoso (e caro também), comemos Dunkin' Donuts. Alugamos 2 vespas, fomos até o View Point de Kata Beach, que é o ponto mais alto da região onde pode-se ver toda a baía, montanhas, praias, que te dá uma visão panorâmica bem bonita do lugar. Na estrada encontramos uma fazendinha de elefantes, paramos para vê-los e na volta, eu e Camillu sofremos uma queda com a vespa, nos machucamos um pouco, ralamos a vespa também, mas nada sério, voltamos para o Hotel dos nossos amigos que era mais perto, fizemos curativos, fomos conhecer a praia de Kata e depois jantamos num restaurante Western (isso significa comida ocidental, depois de 10 dias, foi a primeira vez que comi um bife bovino com purê de batatas!!! se tivesse ruim, estaria maravilhoso...sécoméqueé!) Devolvemos as vespas e fomos passear na Bangla Road (a avenida da bagunça). É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, tantas pessoas passando pelo mesmo lugar, que se não se focar no que está fazendo, você se perde!





No dia 16/07/14 acordamos as 4:00am para pegar o vôo de volta à Perth- Australia e acabou-se o sonho da viagem mais maluca, mal planejada, estressante e divertida já feita na vida. Obviamente foi uma das primeiras, mas certamente não será a última.

Quando se faz uma viagem, sozinho ou com amigos, em que você se permite experimentar tudo o que foge à sua realidade, em que se permite a aprender tudo o que é novo e mais do que experimentar e aprender, é viver a realidade do lugar que está conhecendo, de alguma maneira você nunca mais é o mesmo, de alguma maneira o que aprendeu, o que ficou gravado na memória, uma cena, uma paisagem...essa é a maior riqueza do ser humano, é o maior e melhor investimento que alguém pode se dar, porque não tem como perder, podem acontecer vários problemas como foi o nosso caso, mas aprendemos com nossos erros, aprendemos a lidar com situações que jamais havíamos passado anteriormente e ganhamos experiência! Por um lado, a viagem foi extremamente desgastaste para nossa amizade, tanto que quando voltamos, ficamos quase duas semanas sem nos vermos ou nos falarmos, porque o convívio foi muito mais do que intenso, porém, passado nossas "férias" um do outro, percebemos que o vínculo que criamos tanto entre nós, quanto com as pessoas que fizemos amizade pelo caminho se intensificaram e perduram até hoje. Esse é o melhor presente que se pode ganhar!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sobre Minhas Andanças: Camboja

Antes de mais nada, gostaria de deixar aqui registrado que essa viagem, pelo menos esse trecho da viagem, foi até agora uma das maiores realizações que já tive, um sonho desde sempre era conhecer o Camboja e no final desse post, espero que vocês tenham motivos o suficiente pra entender os por quês.

Saímos de HCMC (Saigon) as 8:00am em um ônibus com destino a Phnom Penh, capital do Camboja. A viagem até Phnom Penh foi segura comparada ao jeito que os motoristas dirigem por lá.
Chegamos na fronteira Vietnam- Camboja por volta das 11:00am, retiramos nosso visto na embaixada e continuamos a viagem até Phnom Penh.
PS: Para retirar o visto, o motorista te deixa em uma espécie de pátio, cheio de ônibus, turistas e vendedores ambulantes e ai é por sua conta, eles te dão 1h para entrar na embaixada e sair de lá, do outro laca com o visto em mãos, a pé. Acredito ter sido um dos momentos mais estressantes da viagem, porque ninguém te dá informação correta ou eles não te entendem ou você que não os entende e o medo de ser deixado pra trás, naquele lugar completamente desconhecido, é bastante preocupante.
Bom, chegamos em Phnom Penh por volta das 15:00h mas o ônibus de Phnom Penh para Siem Reap saia apenas as 18:00h, então fomos comer e ficamos esperando na "rodoviária", que mais tinham carroças e tuk tuk's, do que ônibus. Pegamos um micro-ônibus lotado, toda a bagagem dos passageiros foi colocada entre nossos pés e no corredor do micro-ônibus, ou seja, não dava pra se mexer lá dentro. Como se a falta de espaço não fosse o bastante, o motorista ainda parou na estrada 3 vezes para dar carona  à três andantes, que obviamente foram sentados em cima de nossas bagagens.
A paisagem no caminho, era simplesmente incrível, campos vastos bem verdes ( um verde que não vemos aqui), campos de arroz, búfalos e gado por todo lado. As casas, em sua grande maioria são de madeira suspensas e a condição social e econômica da população vai muito além de a baixo da linha da pobreza.
A noite, a estrada ganha outra forma, escuridão total, silêncio total, raramente víamos luzes de casas bem distantes da estrada. O que nos chamou bastante a atenção foi que em certo momento, começamos a ver luzes negras com redes espalhadas por pastos, muitas mesmo; e depois viemos a saber que com essas luzes os cambojanos capturam insetos, aqueles que todo mundo come nas feirinhas da cidade.
Era cerca de 00:30am quando chegamos em Siem Reap, pegamos um tuk tuk e fomos para o Hotel, que foi na verdade o melhor hotel em que ficamos hospedados em toda a viagem.
No dia seguinte, tomamos café da manhã, alugamos bicicletas por 1,00 USD/dia e fomos conhecer a cidade. Passamos pelo Museu Nacional Cambojano (Cambodian National Museum), que é maravilhoso, seguimos para o Old Market, que é o quarteirão mais famoso da cidade, centenas de lojinhas, camelôs, restaurantes, bares, spas e diversidade estão ali.


A cidade em si é também muito melhor estruturada do que as do Vietnam, parece que foi planejada para turistas, tudo é bem limpo, reformado, iluminado, pinturas bem cuidadas. Há muitos monumentos pela cidade, parques, as avenidas são bem bonitas e as pessoas são bem mais amigáveis e felizes. Porém, o transito é péssimo como em qualquer lugar na ásia e andar de bicicleta lá foi quase como um atentado suicida.
Fomos até a Pub Street, rua mais badalada da cidade, todos os pubs, bares e restaurantes famosos, divertidos e com a culinária mais variada possível estão lá. O custo de vida no Camboja é um pouco mais elevado, comparado aos países em que ficamos, foi o mais caro para se comer, com refeições completas variando entre 8,00 e 15,00 USD, o que para nós foi bem caro.


Fizemos a famosa massagem com os peixes (fish massage), que na verdade não são massagistas, esses peixes comem a pele morta dos pés e pernas, e a sensação deles mordiscando a sua pele seria como uma massagem, eu particularmente, senti foi cócegas, mal conseguia ficar com os pés dentro d'água, já meus amigos, gostaram.


Visitamos também a Fazenda de Crocodilos (Crocodile Farm), que não foi grande coisa, apenas grandes tanques com crocodilos ainda maiores, coisa pouca 4 ou 5 metros de comprimento.
A noite visitamos o Mercado Noturno (The Night Market) que fica atrás do Old Market, e também tem inúmeras lojinhas, camelôs e barraquinhas de lanche e petiscos só que com muito mais cores e luzes, música alta, pessoas dançando e cantando no meio da rua.


DICA DE PUB: o ANGKOR WHAT? BAR, esse pub foi o fundador da Pub Street e por causa dele a rua recebeu esse nome, o lugar é sensacional, uma atmosfera incrível, para pessoas mais alternativas, excelente música, atendimento maravilhoso (os garçons brincavam com a gente) e a melhor parte, você recebe uma caneta para deixar sua marca nas paredes do lugar, então o que vocês vêem na foto, são assinaturas, frases e desejos de todos os que por lá passaram.


DICA DE RESTAURANTE: o The Red Piano é um restaurante que fica no topo de um prédinho, dá para ver toda a Pub Street, tem uma decoração bastante peculiar: Tomb Raider. Para quem não sabe, Tomb Raider foi o filme que alavancou a carreira de Angelina Jolie, e quando ela estava gravando o filme, lá mesmo, no Templo Ta Prohm; Angelina jantou nesse restaurante e criou uma bebida que recebeu o nome de Tomb Raider.

(Fonte: Google)

Ah e claro, não pode esquecer de parar em um dos carrinhos para experimentar as famosas iguarias como grilos, baratas, tarântulas, escorpiões, cobras, sapos e morcegos. Todo mundo tem que ter uma foto dessas.


O ponto alto do Camboja sem dúvidas é o passeio pelo complexo de templos de Angkor Wat. Impossível passar pelo Camboja e não conhecer mais um dos Patrimônios da Humanidade pela UNESCO. Angkor em Khmer (língua oficial do Camboja) significa Cidade Sagrada e seu complexo de templos foram construídos entre século IX e XII A.C e foram construídos por ordem dos Reis do Império Khmer, nesta época mais de 1 milhão de pessoas viviam lá. O complexo Angkor Wat compreende 51 templos e seria preciso 3 dias de passeio em período integral para ver todos, por isso, escolhemos os 7 principais, sendo eles: Angkor Wat( na qual se vê o nascer do Sol as 5:00am), Angkor Thom (Bayon- terraço dos elefantes), Preah Khan, Neak Pean, Ta Prohm (Templo onde foi filmado Tomb Raider) e Banteay Kdei. Cada um dos templos tem uma história bem particular, de ascensão, guerras e declínio.
PS: É necessário comprar um ticket para fazer esse tour pelos templos e custa 20,00 USD com sua foto (eu fui sortuda e roubaram o meu, tive que voltar e comprar outro).
A riqueza de detalhes dos templos, esculturas e a própria arquitetura são um prato bem cheio para a imaginação das pessoas, por um momento você consegue retratar 1.700 A.C na sua cabeça e imaginar como teria sido a vida das pessoas que lá viveram e por maior que seja seu esforço, sempre haverá uma grande lacuna na história. Grandes piscinas, salões de festas, oratórios, sala, cozinha, quartos e banheiros, tudo está lá, alguns quase intactos, outros muito danificados, pelo tempo, pelas guerras...mas a história, ah...a história ninguém apaga, ninguém danifica.









Confesso que esse foi o melhor e pior dia da minha vida...melhor, porque esse era um dos sonhos a serem realizados: A Cidade dos Templos. E pior, porque estava um calor de 38 graus, fizeram a gente usar calça comprida e apesar de termos feito todos os trechos entre os templos de tuk tuk, o esforço físico para subir e descer todas aquelas escadarias, o calor e a desidratação, me fizeram literalmente, me sentir como em uma guerra, uma guerra com meu próprio corpo.
Voltamos ao hotel quase mortos, jantamos e dormimos....no dia seguinte? No dia seguinte foi estrada...estrada rumo à Bangkok- Tailândia!

IMPRESSÕES GERAIS SOBRE O CAMBOJA:
Sem dúvidas era o país que eu estava mais ansiosa para conhecer e nem por um minuto deixou à desejar. Siem Reap é uma cidade com uma energia tão forte que te faz pensar, mesmo que não queira. A Vibe da cidade é surreal, super alto astral, divertida, relaxada. Angkor Wat é um local muito místico, intenso e de uma beleza nunca antes vista. E a vida nortuna, mesmo que não tenhamos saído pra "night" foi sensacional, de certa maneira faz você querer ser quem não é, talvez se reinventar por uma ou duas noites, teu coração palpita forte o tempo todo, tudo é novidade, tudo é atrativo!
Não há dúvidas que o Camboja marcou a minha vida, minha passagem pela Ásia e me fez querer conhecer não só aquilo que é lindo aos olhos, mas aquilo que prende a alma.

GASTOS:
No Camboja, tudo de pende de quanto você quer gastar, tem tudo para todos os gostos e bolsos. No meu caso, bolso não era uma opção e consequentemente os gostos tinham que ser escondidos.  Tínhamos um orçamento diário de 50,00 USD para toda a viagem, então tivemos que fazer nossos gostos caberem nos nossos bolsos, o que na verdade não foi muito difícil. Separamos um dia para comer bem, experimentar uma bebida diferente ou fazer algo mais caro, nos demais dias, segurávamos um pouquinho.
Tive uma média diária de 46,98 USD e um total de 140,95 USD. Lembrando que ficamos apenas 3 dias.


Aloha.



domingo, 8 de fevereiro de 2015

Sobre Minhas Andanças: Vietnam

Primeira parada no Vietnam foi Ho Chi Minh City, mais conhecida como Saigon. Saigon fica ao sul do Vietnam e é a cidade mais populosa do país. Parece uma São Paulo em miniatura, tudo caótico, pobreza em todos os lugares, trânsito intransitável, arquitetura se é que podemos chamar assim bem rústica, o padrão de ruas lá é muito estranho, as vias principais são bem amplas e estruturadas (para os padrões asiáticos), mas os blocos residenciais são grandes labirintos com uma única viela de entrada e outra de saída e dentro deles existe um universo paralelo. A vida que corre dentro desses labirintos, a realidade financeira e social é completamente diferente da que se vê nas grandes avenidas.
No mesmo beco onde os turistas passam, passam também motos, bicicletas, lavadeiras, crianças correndo por todos os lados e tudo isso tendo que desviar das senhoras lavando e cozinhando seus alimentos na calçada, sentadas nos degraus de suas casas; e se bobear, lhe jogam água e restos de comida nos seus pés e se você reclamar, eles te xingam de volta.

Durante o dia, esses becos são uma explosão de cores, chega até a ser lindo, se não fosse triste tantas pessoas viverem com tão pouco. E a noite, aquilo se transforma em becos de filme de terror, onde se escuta apenas o gato derrubando alguma lata e passos, se escuta passos por todos os lados, mas nunca se vê ninguém...mas, é só sair dos labirintos para chegar nas ruas secundárias onde toda a vida noturna começa a aparecer meio tímida e depois, ganha forma, cores, luzes, música e muitos, muitos turistas...e onde há turista, há vendedores, implorando para que comprem qualquer coisa deles e que paguem o preço que VOCÊ julga ser o bastante, eles te pegam, te puxam e te amaldiçoam também quando você nega e sai andando na frente. Perdi a conta de quantas vezes fui amaldiçoada.
Os restaurantes à noite são sensacionais, ninguém se senta em cadeiras ou pedem mesas, na realidade, há almofadas espalhadas pelas calçadas, cada restaurante tem sua cor, e você tira seus chinelos (porque quem é que usa outra coisa nos pés a noite?) senta-se em uma delas, pede uma cerveja e espera a boa vontade de ser atendido.

Sim, um grande problema encontrado em todos os países e cidades que visitamos, é a moleza que os nativos tem para trabalhar, se você disser que está morrendo ainda vão levar uns 10 minutos para decidirem se levantar e te atender.
O Hostel em que ficamos ( Saigon Youth) era bem limpo, tinha internet e pasmem...água quente! É uma raridade por lá.
No primeiro dia decidimos pegar um tipo de Tuk Tuk mas com bicicletas, para conhecer a cidade que na verdade não tem atrativo  nenhum, a cidade é bem feia, cinza, super poluída onde as pessoas todas andam com aquelas máscaras que cobrem o nariz e a boca. Visitamos o War Museum ( Museu da Guerra) que foi quase um pesadelo para mim. Do lado de fora é bem legal, tem tanques de guerra, aviões, armamento e uma réplica de celas e métodos de tortura; mas do lado de dentro é um grande acervo de fotos de pessoas mutiladas e defeituosas devido à radiação e efeitos da guerra, simplesmente horrível de ver.


Depois visitamos o Big Market, o mercado municipal, que tem 4 andares e centenas de lojas, mas não passa de um grande aglomerado de sujeira, ratos e pessoas no mesmo lugar.
Às pressas tivemos que voltar ao hostel, porque tínhamos que fazer check out para ir à Hanoi, capital do Vietnam e fica ao norte do país, contudo, quando fomos pagar os tuk tuk's eles simplesmente decidiram cobrar 10 vezes mais do que havíamos combinado, foi uma grande dor de cabeça e acabei discutindo com um deles que por fim, conseguimos acertar um valor razoável para nós, porém ainda muito mais alto do que o combinado.
Fizemos check out do hostel e fomos almoçar num restaurante bem simples mas com uma comida ótima! Foi a primeira boa refeição que fiz e a única pelos próximos 20 dias.


No aeroporto nosso vôo estava marcado para as 17:30pm e como tudo no Vietnam é devagar, o vôo atrasou e foi remarcado para as 22:00pm devido a uma tempestade ( que foi bem feia, por sinal). Chegamos em Hanoi às 00:45am. Pegamos um taxista que estava quase dormindo no volante, o caminho entre o aeroporto e o centro da cidade, levou quase 40 minutos e a "paisagem"era só mato, terrenos baldios, ruas escuras sem iluminação nenhuma e claro, becos...muitos becos. Chegamos no Hostel e ele estava em reforma, tinha uma mulher largada em um sofá, de pijamas, fumando, assistindo televisão por entre os vãos de uma moto, estacionada no meio da lassa, ao lado de uma escada! Então o rapaz responsável, ligou para outro que tinha um hostel com uma vaga para a gente, fomos a pé, as 2h da manhã por entre becos até o tal do hostel.
Estávamos exaustos e só queríamos um bom banho e cama, mas não...para nossa surpresa, o quarto era deplorável, haviam 2 camas de casal, com lençóis visivelmente usados, chinelo e roupa de banho espalhados, mas não tínhamos o que fazer, então tomei um banho e dormi toda agasalhada para não encostar nos lençóis com o ar condicionado ligado no máximo, porque fazia calor de 30 graus a noite.
Ficamos em Hanoi por 3 dias, as impressões da cidade são as mesmas que Saigon, muita pobreza, as casas são como ruínas, muito estreitas e uma por cima da outra formando prédios de mais de 10 andares. A comida não era boa mas as pessoas eram mais educadas, pelo menos.
O ponto alto de toda a viagem pelo Vietnam foi o tour por Ha Long Bay. Ha Long Bay é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e compreende um arquipélago com mais de 1.900 ilhotas com um formato bem típico, arredondado chamado de limestone. Com um barco passamos por entre as ilhotas, e paramos para ver a Caverna das Maravilhas ou Thien Cung, com numerosas stalagmites e stalactites , depois seguimos passeio até a Vila de Pescadores Flutuante (Floating Fishing Village) onde fizemos um passeio de caiaque por entre as pequenas ilhas e entre as casas flutuantes. O lugar é surpreendentemente bonito, as formações rochosas e a cor da água são lindos.




Uma coisa que adorei em Hanoi foram as estradas, quando se adentra à parte mais rural os campos de arroz são impressionantes e contrastante com o pôr do sol, os vietnamitas trabalhando nos campos e os búfalos soltos. E também há cemitérios em tudo quanto é canto, pela estrada várias vezes vi aglomerados de lápides, as vezes 5 ou 6, que deveriam ser uma família apenas, mas estão por todos os cantos.

No dia seguinte voltamos à Ho Chi Minh, na qual ficamos mais 2 dias. Fomos a uma coffee shop e lá fiquei sabendo que o café vietnamita está entre um dos melhores do mundo. Visitamos um Templo Chinês, o Grande Mercado e claro, China Town...que é igual vemos em todos os filmes de ação, China Town existe em quase todos os países do mundo e são praticamente iguais em todos eles, muitas cores, muito vermelho e dourado, arquitetura tipicamente chinesa. E por fim, fomos aos Túneis de Cu Chi, que consiste em km e km de túneis escavados no meio da floresta, por soldados vietnamitas para se protegerem e fazerem emboscadas contra os soldados do exército americano durante a guerra. A história do local é bem interessante, porém a sensação de estar lá no meio, entrar nos túneis e saber que pessoas viveram, morreram e mataram lá é bem estranha e também, porque lá é um dos poucos lugares onde ainda pode-se praticar tiro, então podíamos ouvir os barulhos de tiros ecoando por toda a floresta, sem saber de onde vinham e para onde iam, uma sensação bastante desconfortável.



No dia seguinte partimos para mais uma aventura, opa, quer dizer, loucura...atravessamos o Vietnam e todo o Camboja até Siem Reap, dentro de um micro ônibus por 12 horas com umas 4 pessoas a mais do que o permitido, mas isso...isso fica pro próximo post.

IMPRESSÕES GERAIS SOBRE O VIETNAM:
Honestamente, não sei se foi porque chegamos muito estressados ou se eu não estava "sentindo" a viagem no começo, mas o Vietnam não foi um país que me agradou no geral. Eu não teria escolhido conhecê-lo, porém, éramos 3 amigos, cada um escolheu um país.
É um país extremamente barato, com refeições completas regulando numa média de 6,00 USD e Hostels também por 6,00 USD per noite, mas a  extrema pobreza e a população completamente carente e marginalizada me assustaram, não um pouco, mas muito! Vários dias, especialmente nos primeiros, fui dormir chorando, preocupada com nossa segurança ou com a falta dela, e também pensando em como pessoas conseguem viver com nada e nós que temos, se não tudo, quase tudo, mas principalmente conforto e comida, conseguimos reclamar tanto do que não temos. A maioria deles vai dormir com fome e sem a certeza de que terão comida na mesa no dia seguinte e mesmo assim, estão sempre sorrindo.
Talvez se eu tivesse chegado no Vietnam mais preparada, como foi com os outros países, eu teria aproveitado mais, mas me senti muito na defensiva, sempre preocupada e em alerta, no fim, percebi que eu não precisava de nada daquilo, mas por mais que reclamemos do Brasil, ninguém sabe que a nossa realizade...que a nossa "terrível" realidade é tudo o que eles querem.


GASTOS:
Os gastos de todo o período no Vietnam compreendem: 2 refeições (almoço e jantar porque optamos por hostels com café da manhã incluído ou por 1,00 USD), transporte público, per noite no hostel, ticket de pontos turísticos e translado. A minha média diária foi de 44,40 USD e total: 266,37 USD.



Aloha.